Bonobo leva novas sonoridades para o Warung

Dia 2 de agosto entra para o rol de grandes noites de uma surpreendente baixa temporada do club
Publicado em: 12/08/2014 - 13:34 | Atualizado em: 12/08/2014 - 13:38

A baixa temporada de 2014 está realmente sendo de ouro para o Warung. O clima frio e o público reduzido já são grandes motivos para preferir as noites de inverno, mas neste ano a curadoria tem ajudado muito. Depois de algumas apresentações memoráveis, como Stimming e Tale of Us, no dia 2 de agosto tivemos o privilégio de conferir uma das apostas mais ousadas do club nesse ano: Bonobo. O seu DJ Set, ao contrário do que muitos esperavam, conseguiu ser tão criativo e surpreendente como o seu próprio live. O britânico entrou após um warm up incrível de Aninha, que pode ser considerada rainha entre os residentes do Warung. No entanto, tocou em um ritmo desacelerado em comparação a outras noites, já dando mostras de que seria um Garden diferente dessa vez.

Quando o headliner começou seu set, o choque. Quem conhece seu som certamente passou a semana se perguntando como ele o aplicaria em uma pista, e ele surpreendeu de uma forma muito positiva. Não se prendeu a gêneros e conseguiu passear livremente entre o techno, o house, o downtempo e até pelas batidas quebradas, em momentos que botou a pista para dançar glitch hop e breakbeat, com direito a linhas de baixo em wobble e vestígios de Neuro Funk, Dance Hall, Ghetto-tech, entre outras influências sonoras.

E, ao contrário do que se imaginaria ao ouvir isso no Garden do Warung, a pista não parou um minuto, nem ao menos se assustou. Claro, algumas pessoas trocaram de pista já no início, mas é um movimento natural, devido à diversidade de gostos entre os frequentadores do club. Para os que ficaram, Bonobo foi maestro. Soube conduzir a pista em todos os seus momentos sem dispersar ninguém, enquanto flertava entre muitos estilos e influências que boa parte do público nunca havia escutado, em uma evolução extremamente compentente, que fez todo mundo continuar dançando, mesmo quando a batida sumia e em uma simples linha de piano hipnótica segurava a atenção de todos.

Após o término do seu set, nos movemos para o main room, aonde Kate Simko já estava com a pista em ponto de ebulição, graças ao seu tech house bem groovado. No decorrer do seu set de 3 horas explorou bem o tempo que lhe foi oferecido, criando bons momentos melódicos - encerrando inclusive com Blue Monday, clássico do New Order. Ao mesmo tempo o garden recebia o que estavam chamando de "Novo André Marques". Magro e loiro, o ex-mocotó também arriscou sonoridades diferentes - não estávamos lá para conferir pessoalmente, mas o feedback de quem esteve foi 8 ou 80: alguns amaram, outros odiaram.

No fim, mais uma festa de muita qualidade e sucesso. Agora os fiéis ao templo se preparam para a próxima, que receberá Sharam Jey e Butch, no dia 23 de agosto.

* Escrito com a ajuda essencial de Elijah.

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