Conheça a mente criativa e empolgada de Traumer

O DJ francês, que vem ao Brasil para os 4 anos do detroitbr e mais duas datas, conversou conosco e contou fatos interessantes sobre sua vida e carreira
Publicado em: 09/11/2017 - 02:54 | Atualizado em: 16/02/2018 - 01:29

No próximo sábado, 11/11, o detroitbr celebrará 4 anos decorridos desde que sua ideia fora concebida e sua evolução e proliferação iniciada. Para tanto, está sendo organizada a maior festa da história do coletivo: o Galera's Beach Bar foi escolhido tanto pelo cenário paradisíaco da Praia Brava como pela capacidade do salão superior, ambiente aonde será montada a pista de dança que receberá o francês Traumer, grande atração da festa.

Pra aquecer os ânimos e colocar todo mundo na mesma sintonia convidamos Bernardo Ziembik, nosso residente e fã incondicional do cara, para fazer uma entrevista com ele. Para nossa grata surpresa as respostas demonstraram um artista sincero, empolgado e um tanto louco - exatamente o que esperamos de alguém que vai tocar por 4 horas em um importante capítulo de nossa história.

Entrevista

Bernardo: Olá Traumer, antes de qualquer coisa, eu gostaria de dizer que é uma grande honra pra mim fazer esta entrevista. Eu sou um grande fã da sua música desde quando ouvi seu lançamento pela Desolat, que acredito que o introduziu massivamente no mercado da música eletrônica. Você poderia nos falar um pouco sobre este trabalho e que influências você teve naquele tempo?

Traumer: Olá, a parte engraçada é que eu não tinha a Desolat em mente quando produzi a track. Para ser bem honesto, eu nem estava certo sobre a faixa Hoodlum e ao mesmo tempo eu ainda estava no meio das coisas diferentes que eu vinha testando, se eu queria fazer techno ou house no meu projeto Traumer. Naquele tempo o projeto Romain Poncet ainda estava sendo concebido e eu ainda estava testando as coisas.
Então eu fiz algumas músicas inspiradas em techno, com alguns cortes apoiados em house como Hoodlum ou Insola. Eu me lembro que uma manhã o meu agente da época me ligou e me disse, “Boas notícias, você vai lançar um EP pela Desolat” - eu obviamente disse que estava bem feliz em ouvir esta notícia mas também não conseguia entender como era possível. Ele me disse que havia enviado previamente todos meus materiais para a Desolat e eles gostaram tanto que decidiram que eles tinham músicas suficientes para fazer um EP duplo. Aqui está a história :)

B: Nós podemos dizer que a identidade de Traumer mudou desde então, enquanto Romain Poncet se aproximou mais do som do DeDust EP. Além desses dois alter-egos, você já assinou faixas como Poncet Family, Möd3rn, Sergie Rezza, Adventice e RedSpecs. Nos diga como você administra todos esses projetos e qual a diferença entre eles!

T: Você está absolutamente certo sobre o som de DeDust. Eu realmente tenho outros projetos mas vou deixar você encontrar eles por si mesmo… Sobre essa “esquizofrenia”, administração da multi-personalidade da minha identidade: eu realmente não sei como eu faço isso pra ser honesto. Mas o que eu posso dizer é que tendo tantas identidades diferentes é a minha forma de me manter inspirado. Isso me permite nunca cair no tédio, porque uma vez que estou entediado fazendo techno por exemplo, eu apenas me movo naturalmente para o house, depois para o ambient, depois minimal etc. Essa esquizofrenia artística “controlada” (não estou tão certo se é mesmo controlada haha) mantém o ciclo criativo em movimento perpetuo, tudo está sempre zumbindo em minha cabeça. Também, se eu tivesse que analisar objetivamente essa necessidade de fazer malabarismos com diferentes projetos, psicologicamente, eu pensaria que é também uma forma de me tranquilizar. Eu posso ficar um pouco ansioso com relação ao futuro algumas vezes - ter todos esses projetos talvez seja minha maneira de criar diferentes finais e saídas de emergências pra mim…?

B: Algo que me impressiona nas produções do projeto Traumer são suas referências tribais e percussivas. Você poderia nos falar um pouco sobre sua formação musical, quem ou o quê te inspirou em sua carreira?

T: Eu não tive nenhum treinamento musical formal, eu não toco piano ou qualquer outro instrumento. Eu estou apenas ajustando. Eu comecei a fazer música no computador quando eu tinha 14 anos e eu acredito que esse é o meu instrumento. O computador me permite curtar, colar, mover, fatiar, truncar, desacelerar ou acelerar qualquer fonte de áudio, e é isso que eu gosto de fazer. Muitas pessoas me inspiraram ao longo dos anos e são tantos, mas tantos que continuam me inspirando, que eu não vou fazer uma lista pois sempre esqueço alguns, e também porque essa lista seria tão grande! Eu obtenho minha inspiração de tantas coisas diferentes, mas eu acho que no final eu tenho a maioria das minhas ideias enquanto estou viajando e das gigs em que eu toco. É importante ouvir os DJs que tocam antes ou depois de você.

B: A festa na qual você vai tocar celebra 4 anos da fundação do detroitbr, um projeto underground que é parte de uma onda que está mudando a forma como os brasileiros interagem com a música. Como a cena da França é bem mais desenvolvida, fico curioso sobre o que está acontecendo aí agora. Como estão as coisas? Quem são os “sangues-frescos” que fazem você acreditar no futuro da cena musical do seu país?

T: Como você disse, as coisas estão se desenvolvendo bem aqui - em termos de evento ficou um tanto enorme, e é o mesmo em várias cidades, não somente Paris. Mas também há muitos grandes artistas aqui na França que continuam elevando os níveis, em diferentes estilos de música eletrônica. Eu estou pensando em gente como Varhat, Lazare Hoche, Cesar Merveille (ele mora em Berlim, mas ainda assim é um grande artista francês), Antigone, DJ Deep, Molly, Seuil só pra nomear alguns dos amigos mais estabelecidos (eu tenho que dizer que sempre esqueço vários nomes - eu realmente não gosto de listar assim). Mas a chave para o desenvolvimento está acontecendo nas comunidades na internet. Eu estou pensando nos grupos de Facebook nos quais música é compartilhada, como o grupo “Beau Mot Plage”, aonde você pode encontrar músicas absolutamente incríveis que você nunca ouviu antes. Eu acho que a França está se desenvolvendo bastante por este desenvolvimento ser global, ele vem dos artistas estabelecidos aos novatos, dos promoters ao público e à super-ativa comunidade na internet.

B: Suas última tour brasileira teve gigs em festivais, agora você volta para três noites em clubs. Quais são suas expectativas para a tour dessa semana?

T: Festivais significam menos tempo de set, então nem sempre temos tempo para nos expressar. Tocar em clubs significa o oposto e essa tour é definitivamente o caso. Eu vou tocar no mínimo duas horas em todos os lugares que irei, o que é ótimo. Então, eu espero me conectar mais com a multidão e ir mais fundo musicalmente… Se você quiser me ver na vibe de festival, irei para Lima (Peru) para tocar no Get Out Festival e Cordoba (Argentina) para pegar o palco no Riot no fim de semana depois do Brasil.

Serviço

Quando? 11/11 (sábado), 22:00
Onde? Galera's Beach Bar - Praia Brava, Itajaí (SC)
Quem toca? Traumer, Bernardo Ziembik, André Anttony
Ingresso online: http://bit.ly/dtbr4anos
Equipe de vendas: http://bit.ly/EQdtbr4anos
Evento oficial: https://www.facebook.com/events/1488652177838495/
Reservas: (47) 99900-0837

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