Warung Day Festival realiza sua melhor edição e faz jus ao título recebido

Com estrutura cada vez maior e um line-up que celebra a boa música, em 2017 o festival consolidou-se como um dos principais do país
Publicado em: 19/04/2017 - 16:21 | Atualizado em: 28/04/2017 - 11:28

O dia 8 de abril marcou a quarta edição do Warung Day Festival e acredito não falar besteira quando digo que marcou também muitos corações. Já na entrada era possível perceber nos rostos uma expectativa otimista, que as filas rápidas para entrar não transformaram na comum frustração. Longe disso. Adentrar a Pedreira era se ver maravilhado por uma estrutura fantástica, que conseguiu retransmitir a atmosfera do club na Praia Brava ao mesmo tempo em que carregava um quê singular.

Com a benção do dragão, até o clima de Curitiba cooperou. A possibilidade de chuva foi substituída por uma temperatura agradável, céu azul e um sol que esquentava ainda mais o caloroso festival. Quando escureceu, pôde-se ver melhor as luzes e projeções que estavam coisa de outro mundo, transportando os presentes para outra dimensão. Não bastasse tudo isso, havia a lua; um luar de tirar o fôlego! E haja fôlego para doze horas de música de uma curadoria capaz de agradar a gregos e troianos, com Chris Liebing, Hernan Cattaneo, Nicole Moudaber, Roman Flügel e Stephan Bodzin, entre outros artistas de destaque ou em ascensão na cena, cada qual cumprindo seu papel em tornar esse WDF completamente inesquecível.

Agora se o tempo e a decoração tinham um toque de mágico, a organização, embora boa, poderia ter usado alguns de seus truques. No início da festa parece ter havido uma instabilidade no sistema e o resultado disso foram grandes filas para comprar as fichas de bebida. Só que ninguém quer perder uma ou duas horas para ficar na fila do caixa e ainda ter que pagar 10 reais por uma água ou 15 por uma cerveja... Eis que, diferente dos preços, do meio da festa em diante as filas ficaram razoáveis e, apesar desse começo conturbado, os semblantes sorridentes estavam por todo lado.

Antes de falar dos palcos e das principais apresentações vale comentar rapidamente sobre a estrutura de suporte, que contou com lounges de convivência, para dar aquela merecida descansada às pernas, e uma avenida de food trucks, afinal, ninguém é de ferro. Também havia vários banheiros, que, apesar de algumas críticas, a meu ver foram mantidos limpos à medida do possível.

Tirando o teto do Pedreira Stage que balançou um bocado, a acústica em si dos palcos estava boa, de modo que dentro de cada um não se podia ouvir o som dos demais. Os artistas foram divididos entre Warung Stage, Pedreira Stage e Garden Stage, mas foquei apenas nos dois primeiros, o que já foi tarefa difícil quando se tem Stephan Bodzin tocando ao mesmo tempo que Nicole Moudaber, e Hernan Cattaneo começando apenas meia hora antes de Chris Liebing.

Dos destaques do dia, ouvi diversos elogios direcionados à DJ brasileira ANNA no Pedreira Stage, contudo, não poderia deixar de conferir a apresentação de Roman Flügel, que acontecia ao mesmo tempo no Warung Stage. Ainda em plena luz do dia, o alemão foi construindo seu set meticulosamente. Conforme elevava a energia, demonstrava toda sua técnica e experiência, hipnotizando o público. Uma aula de originalidade e um “aquecimento” para se levar na memória.

Ainda no WS, o tão esperado live de Stephan Bodzin não decepcionou. Como diz o ditado: quem sabe faz ao vivo. Só que quem faz ao vivo não é imune a falhas e seu set travou duas vezes. Mesmo assim, Stephan não pecou em qualidade e conseguiu escrever uma das grandes histórias do WDF, visivelmente se entregando e transmitindo uma energia incrível a um imenso e cativado público.

Confesso, porém, que testemunhei menos do que gostaria do genial Bodzin, visto que no Pedreira Stage Renato Ratier aquecia os ânimos para a entrada de Nicole Moudaber, que entrou fervendo, com seu estilo único, de som intenso e vocais bem colocados. Penso que a maioria já esperava dela uma apresentação memorável, mas a DJ conseguiu superar as expectativas. Ainda assim, me peguei refletindo que 2h de apresentação foram pouco e um long set conseguiria melhor explorar todas as suas nuances. Acabei não ficando para ver sua finalização, pois no Warung Stage tinha encontro marcado com um maestro.

Hernan Cattaneo fez uma entrada triunfal e todos foram arrebatados já nas primeiras notas. Até o momento que consegui acompanhar, sua apresentação estava belíssima como de costume, com elementos melódicos e batidas delirantes. Praticamente um totem do Warung Beach Club, era apropriado que o maestro fechasse o palco principal (e soube que o fez com a envolvente Phases - H O W L I N G), no entanto precisei me ausentar para ver aquele que, para mim, foi o nome da noite.

Chris Liebing é um dos artistas mais respeitados do techno mundial, e não é por menos. Sua apresentação no Pedreira Stage foi surreal, um espetáculo à parte. Uma experiência sensorial através da qual mesmo os corpos mais cansados não conseguiam ficar parados. Depois de um tempo de puro fascínio, vi em mim e a meu redor surgir uma ansiedade: a versatilidade de suas viradas e seus timbres pesados prenunciavam o fim. Mas Liebing não nos deixou baixar um instante sequer, encerrando no auge, com o público extasiado em uma sensação geral de gratidão.

Uma gama de bons artistas, palcos imersivos, gente bonita e (na sua maioria) educada unida por um motivo muito humano: o amor pela música. Na minha opinião isso resume o Warung Day Festival, um evento já consagrado que chega a ser difícil de sintetizar tamanha evolução e importância para a música eletrônica e sua expressão cultural.

Assim, o WDF 2017 já deixou saudades e uma certeza em mente: ano que vem temos um novo encontro marcado em Curitiba. Até 2018!
 

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