Zip e Soul Capsule protagonizam noite histórica da Perlon no D-Edge

Publicado em: 15/02/2016 - 21:13 | Atualizado em: 15/02/2016 - 23:22
Zip e Soul Capsule protagonizam noite histórica da Perlon no D-Edge
Pista 1 do D-Edge Unlimited garantiu fortes emoções para os fãs do selo

O ano mal começou e já tivemos uma grande surpresa no Brasil, em termos de música eletrônica. Depois de alguns anos o D-Edge anunciou a volta do Quinto Sol (festival da Perlon que acontece na América Latina), apostando no minimal techno para uma noite histórica em São Paulo. O line-up foi anunciado e para a nossa alegria a escalação da pista 1 tinha o duo brasileiro Stekke, Soul Capsule e o mestre Zip, enquanto a pista 2 receberia Ney Faustini, seguido pelo long set do trio Apollonia e no final, até as 17h do dia seguinte, b2b entre Eli Iwasa e Renato Ratier. A emoção foi grande pois Zip está entre meus artistas favoritos e eu não o via tocar desde sua última vinda ao Brasil, quando a Green Valley recebeu edição do Festival Quinto Sol com ele, Margaret Dygas e Ricardo Villalobos. Alguns não sabem, mas ele que é o dono da Perlon, uma das gravadores mais conceituais de Berlim, que lança exclusivamente em vinil. 

Como não podemos estar em dois lugares ao mesmo tempo, escolhi a Pista 1 para ficar do começo ao fim, acompanhando esse line-up inédito e absorvendo cada virada como parte de uma história de uma noite surreal. Ao entrar no club, ainda um pouco vazio, mas com uma fila grande lá fora, fui sentindo um clima diferente. Talvez por estar feliz demais por tudo aquilo estar acontecendo, ou talvez porque realmente o público estava diferente naquela noite, só sei que poucas vezes vi uma pista como aquela. Com o set do Stekke já pela metade fui reconhecendo os amigos, de perto e de longe, uns que vejo sempre e outros que não via há um tempo. É incrível ver como a música une as pessoas, noites como essa são sempre muito especiais. Fazendo o warm up do jeito que só eles sabem, o duo virava de uma música para outra com a classe e a técnica apurada que são suas características, tudo com uma alegria estampada em seus olhos, a felicidade de abrir para esses artistas que admiramos tanto. Constante, sem apelos de pista, com uma inteligência e suavidade nas batidas e mixagens. Muito orgulhosa por eles, pude curtir o final desse set, que estava perfeito para o começo dessa noite.

Assim que Baby Ford e Thomas Melchior entraram na cabine o pessoal aplaudiu, passando a mensagem que estavam felizes e sabiam muito bem o por que estavam ali. Stekke ainda teve tempo de finalizar com uma música absurda, que por sinal é produção deles e será lançada em breve apenas em vinil. Em seguida, Soul Capsule vira a primeira música, dando continuidade a noite. Com um set puxado para o house, com melodias incríveis, clássicos, discos raros, foram construindo uma história marcante para todos que estavam ali dançando. A pista estava cada vez mais feliz, aplausos e gritos estavam se tornando constantes. Cada vez mais à vontade, o duo foi mostrando seu groove com batidas marcantes.

Nesse momento eu já estava extremamente realizada, sentindo algo naquela pista que nunca havia sentido. Já estive em muitas noites marcantes no D-Edge, mas não peguei o club em uma época que gostaria de ter frequentado também, até o ano de 2009. Me senti vivendo algo novo ali, ouvidos maduros e preparados para aquela sonoridade. Via amigos dançando com sorrisos estampados no rosto, uma energia leve e arrepios constantes. 

Enfim chegou o momento que foi um dos mais especias que já vivi na pista. Arrepiei até a espinha quando eles colocaram, digo isso pois não foi nem uma mixagem e sim um corte para que ela fosse tocada desde a primeira nota: Lady Science, uma das minhas músicas favoritas, que escolheria até como um tema da vida. Assim que a melodia entrou, gritos e comemorações mostraram que muitos ali sabiam bem o que estava sendo tocado, enquanto uma energia única tomava conta daquela pista. Difícil transmitir em palavras o momento mágico que aconteceu. Já havia ouvido ela ser tocada por outros artistas, até eu mesma já toquei algumas vezes e é sempre uma vibe linda quando é usada na pista e hora certa, mas desta vez, ela sendo tocada pelos próprios produtores, por quem sentiu a inspiração e conseguiu traduzir sentimentos em música, foi muito diferente, foi único. Esse momento foi o ápice do set deles e fico emociada até agora de lembrar disso. Dali para o final da apresentação, continuou sendo só alegria. Comecei a ficar meio inquieta e percebi que era ansiedade para ouvir o nome da noite, Zip

Às 6 da manhã o mestre virou a primeira música e nela mesma já pude ouvir os barulhos esquisitos muito bem distribuídos que dão característica ao bom minimal e, ali mesmo, já podia sentir que esse seria outro set histórico. Técnica de mixagem perfeita, construção muito bem pensada (ou sentida), case com clássicos, unreleases, atualidades, músicas únicas, de dar inveja a qualquer DJ. Zip realmente se superou e levou a noite. Engraçado que durante o set reconheci várias músicas, algumas que sabia os nomes, outras que reconheci sem saber onde havia ouvido, talvez até do próprio set dele de 3 anos atrás, vai saber... As músicas são muito marcantes, carregam sentimentos especiais e melodias lindas. 

Durante aproximadamente 5h30 de set, Zip nos presenteou com uma construção que não irei esquecer. Não é a toa que ele é tão respeitado e sempre mostra consistência nas suas apresentações, sabendo muito bem montar uma história, conduzir uma pista e deixar essa experiência marcada nos nossos corações. Foi muito especial reparar como ele tocou um som extremamente avançado, incomum por aqui, e como as pessoas ali reagiram a isso. Vi muitos comentários positivos durante a noite, saudações e aplausos, foi incrível poder viver isso “no quintal de casa”. Mais pro final do set aconteceu um dos ápices da festa, quando ele tocou o clássico Kenny Larkin - Cirque de Sol. Nessa hora ouvi vários gritos reagindo ao bassline e à melodia dessa música. Nunca tinha ouvido ela na pista e foi uma surpresa ouvir naquele momento.

Fui começando a notar que o club estava esvaziando e que meus pés estavam começando a doer e olhei para o relógio. Quase meio-dia e a Pista 1 ainda aberta, o que me fez lembrar o quanto essa noite havia sido especial. Normalmente ela fecha entre 8h e 9h, deixando apenas a Pista 2 para dar continuidade ao dia, com o Superafter. Zip, cansado mas satisfeito, entregou a pista para o Stekke fechar a festa com um pouco mais de maestria. Levei dessa noite a melhor experiência já vivida naquele club, a sensação de alma lavada, com mais uma aula na memória. Fico muito feliz em ver cada vez mais o D-Edge apostando em DJs e lives underground, em música avançada, fazendo line-ups coerentes e com sets longos. Espero que em 2016 nos reserve mais momentos assim e que a música continue juntando amigos e nos proporcionando noites mágicas, como essa. Fui embora com o coração transbordando alegria, pernas moídas e feliz da vida.

Escrito por: Tati Pimont